A idéia malfadada do jogo

Elias Farah

O país inteiro se alarmou ante a perspectiva da liberdade do jogo. A idéia não foi – certamente – inspiração das consciências limpas da nação. Mas, sem dúvida, dos parasitas, dos corruptos e dos corruptores. Insistem em reascender a tocha mutilada de um vício que tem arruinado famílias e sociedades, patrimônios e culturas. Só o facho luminoso das virtudes, individuais e coletivas, logra manter-se, por si só, aceso, trocando-se de mãos, no tempo e do espaço.

O protesto, a oposição e a honesta repugnância que a idéia despertou no povo foi suficientemente intensa para reafirmar a condenação, a inutilidade e o perigo da iniciativa. O jogo é considerado contravenção penal. Define-o e combate-o, por dever e atribuição, o poder público. Desse modo, tão inconcebível é a convivência do jogo legitimado, resguardado e, amiúde, subvencionado pelo governo. Ora, o governo não pode ser cúmplice de crimes contra os quais ele próprio legislação.